Olá, senhoras e senhoritos. Eu sei que já passou algumas semanas do tempo de postar o compilado do Quinta Tarantinesca, mas queria fazer algo especial, que não ficasse apenas links jogados aleatoriamente.
Agradecemos a todos que nos acompanharam durante o tempo em que todos esses artigos foram postados, já que tivemos uma trabalheira imensa pra produzir e editar todo esse conteúdo. Também convidamos a vocês, novos leitores, a aproveitar que já foram lançados todos os posts e fazer uma maratona de Tarantino para depois poder conferir toda essa informação que trouxemos carinhosamente para você. :)
Olá Taverneiros, bem-vindo ao sofrido último Quinta Tarantinesca, finalizando muito bem essa série de posts publicando ele na sexta. Mas gostaria de dizer antes de tudo que adoramos fazer o Quinta Tarantinesca, e estamos muito agradecidos por todo o apoio de vocês, leitores, que leram, deram suas opiniões, ou até compartilharam. A sua ajuda é muito importante e bem recebida por nós, até porque não ganhamos nada por cima disso além de o sentimento de realização e trabalho bem feito e toda a diversão que isso nos proporciona. Em breve estarei deixando um ícone especial ali do lado direito com a coletânea de todos os 20 posts prontinhos para você que acabou perdendo algum, ou simplesmente é um novo visitante do blog.
Mas hoje terá sim conteúdo! Acabaram-se os filmes, mas nosso querido Taranta não está aposentado não. Vamos ter um breve papinho sobre as informações que temos do novo filme do queixudinho que vem por aí: The Hateful Eight.
The Hateful Eight se passa de seis a oito anos depois do fim da Guerra Civil (não a da Marvel, seu nerdão!). Assim como o trabalho mais recente de Tarantino, o duplamente oscarizado Django Livre, Os 8 Odiados é um faroeste ambientado nos Estados Unidos do século 19(YAY). Entretanto, a proposta do filme será completamente diferente da trama do escravo liberto que vai resgatar sua esposa das mãos de um cruel senhor de engenho. (nigger)
A trama de The Hateful Eight acompanha a história de uma diligência contendo vários passageiros, que são impedidos de seguir viagem por causa de uma nevasca. Logo, eles são atacados por um grupo de caçadores de recompensas e outros criminosos.
"Eu posso definitivamente dizer que nosso filme é o faroeste na neve mais divertido que já foi feito. É mais divertido que O Vingador Silencioso, mais divertido que Quadrilha Maldita", afirmou Tarantino em entrevista à revista Entertainment Weekly, que divulgou a imagem de Russel e L. Jackson.
O cineasta ainda disse que se inspirou nas séries de TV "O Homem de Virgínia e Bonanza" para criar seus personagens. "Você espera um episódio inteiro e se pergunta: 'Eles são mocinhos ou bandidos?'. Então eu pensei: 'E se eu fizer uma história com esse tipo de personagem?'. Não há mocinhos [em Os 8 Odiados]", avaliou Tarantigod.
"Em Os 8 Odiados, ambientado seis, sete ou oito ou doze anos depois da Guerra Civil Americana (1861 - 1865), uma diligência se acidenta na paisagem invernal de Wyoming. Os passageiros, o caçador de recompensas John Ruth (Russel) e a fugitiva Daisy Domergue (Leigh), fogem em direção à cidade de Red Rock, onde Ruth, conhecido por estas bandas como "o homem da forca", entregará Domergue à justiça.
Ao longo da estrada, eles encontram dois estranhos: o Major Marquis Warren (Jackson), um ex-soldado da União que se transformou um infame mercenário, e Chris Mannix (Goggins), um renegado sulista que reivindica o direito de ser o novo xerife da cidade.
Depois de se perderem na nevasca, Ruth, Domergue, Warren e Mannix buscam refúgio em uma parada administrada por Minnie no passo de uma montanha. Quando eles chegam lá, são recebidos por quatro desconhecidos: Bob (Bichir), que está cuidando do estabelecimento enquanto Minnie visita sua mãe, Oswaldo Mobray (Roth), o carrasco de Red Rock, o caubói Joe Gage (Madsen) e o Confederado General Sandy Smithers (Dern). À medida que que tempestade de neve se intensifica, nossos oito viajantes descobrem que eles podem nunca chegar a Red Rock...".
Os 8 Odiados estreia nos Estados Unidos no Natal, dia 25 de dezembro, antes do final do ano afim de ser elegível no Oscar 2016. No Brasil, o longa deve chegar aos cinemas nos primeiros meses do ano que vem.
Confira o teaser abaixo (desculpem, mas ainda não saiu nenhum trailer oficial com os atores):
Partindo pro meu lado over excited, eu estou ansiosamente mega ansioso pra ver o que isso vai dar! Depois de vermos todo o potencial western de Tarantino em Django Livre, as expectativas só aumentam. Fazendo a pesquisa para esse post, notei que alguns fóruns dizem que um dos filmes preferidos do queixudinho é "Três homens em conflito" (The Good, The Bad and The Ugly), o clássico mega aclamado (e um dos, se não "o", meus filmes favoritos do gênero), o qual junta o lendário Clint Eastwood com Eli Wallach Lee e Van Cleef em 3 horas de pura emoção. Filme esse que é sem dúvida nenhuma obrigatório pra todo mundo, principalmente você que está lendo isso aqui.
A Guerra Civil americana é algo realmente vale a pena prestar atenção no colégio, o período que sucede isso pode ser comparado as tramas da Trilogia de Dólares, tendo em mente que The Good, The Bad and The Ugly é o primeiro da trilogia. Fato que me deixa ainda mais ansioso e curioso!
“O que você quer dizer com isso, Lucas?” Eu respondo... E se o Tarantino estiver tentando fazer a sua versão de The Good The Bad and The Ulgy?
DURMAM COM ISSO!
Mas uma vez, obrigado a todos que nos acompanharam e nos ajudaram a construir esse império de posts. Mas não se preocupem! Nem só de Tarantino o cinema é feito. Em breve lançaremos novas séries de posts sobre outros geniais cineastas. Enquanto isso, termine essa transfusão de sangue, porque você ta precisando depois de tantos cortes e violência, e se prepare por que por aí vem mais! :D
Hoje, como prometido, finalizaremos a série de posts sobre Bastardos Inglórios; assim como em Um Drink no Inferno, com uma sessão só de curiosidades, já que esse filme não é qualquer coisa e merece uma análise mais a fundo.
Sem mais delongas, pegue seu lanchinho, se acomode na cadeira, e vamo que vamo!
1 ► O papel do tenente ArchieHicox, interpretado no filme por Michael Fassbender, originalmente era de Simon Pegg, que teve de abandonar a equipe devido conflitos na agenda;
2 ► Tarantino trabalhou no roteiro por dez anos, antes mesmo de começar a trabalhar em Kill Bill. Por não conseguir encontrar um final adequado, continuou deixando-o de lado;
3 ►Na cena em que Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) é estrangulada, as mãos que fazem o estrangulamento pertencem a Tarantino;
4 ► Todas as suásticas foram removidas do material promocional na Alemanha. Na Alemanha, as suásticas são proibidas a menos que usadas por razões de rigor histórico;
5 ► “Orgulho da Nação”, o filme dentro do filme, foi dirigido por Eli Roth (CabinFever, The Hostel), que também fez papel de DonnyDonowitz, um dos bastardos (o do taco de baseball). O curta pode ser visto nos extras do DVD;
6 ► Daniel Brühl dublou as suas falas na versão espanhola do filme;
7 ► Tarantino contou à Brad Pitt que Til Schweiger, nascido e criado na Alemanha, sempre se recusou a interpretar um nazista no cinema. A única razão pela qual ele aceitou, foi porque o personagem tem que matar nazistas;
8 ► O cachimbo fumado por Hans Landa é um Calabash Espuma do Mar, o mesmo de Sherlock Holmes;
9 ► Quando Aldo se apresenta como um ator italiano, diz que seu nome é Enzo Girolami. Este é o verdadeiro nome de Enzo G. Castellari, diretor do “IngloriousBastards” original;
10 ► Melanie Laurent passou várias semanas trabalhando como projetista na New Beverly Cinema, em Los Angeles, para se preparar. E seu teste final foi trabalhar com o projetor para a exibição de “Cães de Aluguel”;
11 ► Leonardo DiCaprio foi a primeira escolha para interpretar Hans Landa, mas Tarantino decidiu apostar num ator mais velho. E para Adam Sandler foi oferecido o papel de DonnyDonowitz (Eli Roth), mas ele recusou pois tinha outro filme em mente;
12 ► Bastardos Inglórios foi o filme do Tarantino com mais indicações ao Oscar até agora. Ele foi indicado em oito categorias, vencendo a categoria Melhor Ator Coadjuvante;
13 ► O corte original do filme tinha mais de três horas. Tarantino e a editora Sally Menke cortaram para 153 minutos e em apenas dois dias;
14 ► Durante o incêndio no cinema, uma bandeira da suástica acaba caindo, contudo não era essa a intenção. Na verdade, o fogo estava tão quente que acabou dobrando o aço que segurava a bandeira.
15 ►Samuel L Jackson atuou como o narrador;
16 ► As filmagens duraram (apenas) 150 dias. (CAN YOU BELIEVE THAT?);
17 ► Bastardos Inglórios arrecadou “míseros” 321,5 MILHÕES!! (srk) de dólares em seu ano de estreia;
18 ► Tarantino dirigiu o filme inteiro pelado;
19 ► O 18 é mentira.
Sim, pesados leitores, este é o último post do último filme do nosso querido Tarantino (ou Tino para os mais chegados). Infelizmente chegamos a esse momento triste de nossas vidas, mas não chorem demais, pois semana que vem voltaremos para analisar e dizer nossas expectativas para o novo filme do queixudinho, Os Oito Odiados, que tem data de lançamento prevista para ainda este ano.
Bom dia, boa tarde, boa noite amigos taverneiros, primeiramente, me desculpem pelo transtorno semana passada. Muita coisa aconteceu, realmente estourou a hora de postar e eu não tinha nada pronto, nem tempo para deixar o conteúdo tinindo, do jeito que vocês gostam. Mas sejam otimistas, vocês tiveram uma semana a mais para apreciar essa maravilhosa obra digna de aplausos com o queixo! (que piadinha terrível, meu deus do céu)
Caso não tenha visto o post anterior, clique AQUI.
Pra relembrar vocês, vamos a uma "breve" (quer enganar quem, Lucas?) recapitulação, juntamente com as diferenças do roteiro para com o filme:
O filme é divido em capítulos e conta simultaneamente as histórias dos Bastardos e de Shoshanna.
O primeiro capítulo, “Once upon a time… in nazi occupied France” (Era uma vez… numa França ocupada por nazistas) se mantém o mesmo.
Shoshanna e sua família viviam refugiadas na França, numa fazenda, até que foram descobertos pelo "Caçador de Judeus", Hans Landa, e exterminados. Somente Shoshanna conseguiu fugir, por um ato de piedade (será?) de Landa.
Essas cenas iniciais são absurdamente intensas. O diálogo traçado entre Landa e LaPadite (o dono da fazenda) é fantástico. Só o jeito do Landa falar já é aterrorizante. Ele demonstra uma calma e controle sobre a situação, além de ter uma língua ferina e, aos poucos, vai mostrando que de bobo não tem nada, pelo contrário, é extremamente perspicaz, e merece o apelido dado pelos seus inimigos.
(Infelizmente não achei com legendas, me perdoem por isso)
Já no segundo capítulo, “Inglorious Basterds” (“Bastardos Inglórios, dã), é propriamente a apresentação dos 9 soldados matadores de nazistas e de seus “divertidos” métodos de trabalho
É aqui que começamos a perceber as primeiras diferenças do roteiro e do filme: existem cenas no roteiro que não entraram no filme e outras que entraram no filme de uma maneira diferente e é aqui que vem a primeira: intercalado com essa cena dos Bastardos interrogando, matando e torturando um grupo de oficiais da S.S., há a cena em que Shoshanna chega em no cinema de Emanuelle Mimieux em Paris que ela vai tomar 3 anos depois. Acontece que essa chegada dela se passa 10 dias depois do massacre de sua família. Após a sessão que ela foi “assistir”, a dona do cinema, Emanuelle Mimieux, pergunta o que ela está fazendo na sala ainda depois que os créditos já acabaram. Shoshanna conta sobre o ocorrido de 10 dias atrás e Emanuelle fica sentida com a história e resolve ensinar Shoshanna a operar o cinema e a deixa morar lá, mesmo que contra a sua vontade já que esconder inimigos do Estado era um crime de guerra. Ainda nesse plano, temos uma sequência de Shoshanna fumando no terraço do cinema. Emanuelle e Marcel, funcionário do cinema, tiram o cigarro de sua boca e o apagam, e aí acabam dando um esporro nela por estar fumando num lugar que guarda uma coleção de 350 filmes de nitrato de 35mm, material altamente inflamável. Isso abre a cabeça de Shoshanna para elaborar o seu grande plano de vingança. Tal como temos cenas do roteiro que não entraram no filme, também temos cenas do filme que não estão no roteiro: o recrutamento de Hugo Stiglitz é uma delas (a melhor também).
No terceiro capítulo, “German night in Paris” (Noite alemã em Paris), já estamos dentro do filme de novo: 3 anos depois do episódio do terraço do cinema, Emanuelle Mimieux já morta (por doença) e Shoshanna com a sua identidade.
Estamos na cena que o soldado/astro de cinema Frederick Zöller aborda a judia no seu cinema e acaba por se apaixonar à primeira vista. E ela, claro, cagando pra ele. Frederick decide usar a sua influência de herói de guerra para transferir a grande premiére de seu filme “O Orgulho da Nação” para o cinema de Shoshanna. Sendo assim ele marca um encontro com seu chefe, Joseph Goebbles e um dos grandes líderes da Gestapo: Major Hellström. Quando estão todos juntos, ele resolve meter a Shoshanna no meio da mesa para negociar a transferência da premiére. A conversa segue normal, ATÉ QUE o Cel. Hans Landa adentra o recinto e se junta à mesa. Em um dado ponto dessa conversa, Shoshanna e o Cel. Landa são deixados à sós, e aí temos mais um grande papo de terror psicológico do coronel da S.S. com a judia fugitiva. A diferença aqui não é grande: no roteiro ela acaba se mijando de medo depois que o Cel. Landa sai da sala, e no filme ela só explode a cara de tanto chorar. Vale destacar também a figura do narrador: muito presente no roteiro, mas no filme em si ele teve mais de 75% de suas falas cortadas.
Agora no quarto capítulo, “Operation Kino” (Operação Kino), é que começam a rolar as diferenças mais descrepantes.
A única cena do filme que se passa na Inglaterra, com Hicox, um oficial inglês e a figura história de Winston Churchill teve seu conteúdo reduzido em 30%. Uma lástima. É nesse capítulo também que vemos cenas do envolvimento amoroso de Shoshanna e Marcel pela primeira vez, só que tem pelo menos 3 cenas deles juntos no roteiro enquanto que no filme só há uma. No filme nós vemos os dois se pegando lá pro final apenas e o relacionamento dos dois só brota no very end. Antes de entrarmos na La Lousianne (a taverna onde os Bastardos iniciaram a planejamento da Operação Kino), também tem cenas de Marcel e Shoshanna fazendo o filme da vingança: temos eles filmando, sincronizando o filme e levando num laboratório pra revelar a película (contra a vontade do fotógrafo, ou seja, na base da porrada).
Agora, em La Lousianne, abrimos com a cena mais tensa que já vi em toda a minha vida, começando com a conversa entre os Bastardos que até aparece no filme, mas com parte do seu conteúdo cortado também. Agora no rabbit hole (expressão militar para operações de infiltração em espaços pequenos e fechados) temos os Bastardos seguindo missão com seu contato infiltrado que só aparece agora: Bridget Von Hammersmark, uma grande atriz alemã que se aliou aos ingleses. Tudo parece correr bem até um grupo de oficiais nazistas bêbados começar a criar confusão e o Major Hellström entrar em cena. A putaria começa quando um dos Bastardos encaixa uma Luger nas bolas do Major e cria uma espécie de duelo mexicano já que o Major também tem uma arma apontada pro saco do outro Bastardo que por sua vez também tem uma arma mirando no pênis do Hellström. Todo mundo acaba morrendo nesse tiroteio e só quem sobra é a atriz alemã e um dos oficiais bêbados. Até então, a cena corre conforme escrita no roteiro, com leves diferenças na negociação entre o pai de Maximillian e o Tenente Aldo Raine. A grande treta aqui é o caso Cinderella: um sapato que Bridget deixa para trás e é encontrado mais tarde pelo Cel. Hans Landa.
Finalmente, “The Revenge of the Giant Face” (A Vingança da Cara Gigante). É aqui que o circo pega fogo. Ou melhor, o cinema.
Antes de comentar sobre esse capítulo, reparem na cara da Shoshanna na tela em chamas…
Pouco familiar, não? Quentin se inspirou no filme “O Mágico de Oz” para fazer a vingança da cara gigante em “Bastardos Inglórios”.
Talvez seja aqui temos as melhores diferenças entre o filme e o roteiro. É aqui que as histórias se cruzam: o plano de Shoshanna e a Operação Kino estão para se fundir. O cinema está lotado de nazistas, incluindo os oficiais de alto escalão como Goebbles, Herrmann, Bormann e até mesmo o próprio tio Adolfo. Se tudo der certo, a guerra acaba essa noite. De um lado, temos três Bastardos com bombas no tornozelo, prontos pra explodir o cinema. Do outro, uma pilha de 350 filmes de nitrato de 35mm atrás da tela de projeção com um fumante do lado, pronto pra incendiar o cinema. Os 3 Bastardos se infiltram como amigos italianos de Bridget. É aqui que temos, possivelmente, a cena mais engraçada do filme:
No roteiro, é Shoshanna que vem checar os tickets de entrada 0023 e 0024 dos Bastardos, e não o Hans Landa. Essa seria a primeira e única vez que Shoshanna e os Bastardos se encontrariam cara-a-cara, mas isso infelizmente não entrou dessa maneira no filme. A cena da luta no banheiro também não foi escrita da maneira como foi filmada. “Dominique DeCocco” entra no banheiro servindo champanhe com um soco de calibre 9mm na cara de oficiais da S.S. quando na verdade era o Utivich que tinha ido dar um cagão (um belo pretexto para armar a bomba atrás da privada) e acabou sendo reconhecido pelos oficiais. No roteiro, a bomba que foi colocada por Hans Landa (!!!!) no camarote onde estava Hitler e seus amiguinhos importantes explode antes de Shoshanna dar o sinal para Marcel queimar os filmes de nitrato. Logo após a frase de Zöller no filme “Who wants to send a messagem do Germany?” (Quem quer mandar uma mensagem para a Alemanha?) é que começa o curta de Shoshanna narrando a sua vingança. No filme, só rola a bomba quando a sala já está em chamas faz tempo. Shoshanna e Zöller já estão mortos na sala de projeção após um atirar no outro. Agora vem a melhor adaptação do filme em relação roteiro: Hitler não morre com a explosão, são Utivich e Hirschberg que vão esvaziar dois pentes de MP5 nele até que tio Adolfo vire queijo suíço. Austríaco no caso.
O gran finale do filme se manteve o mesmo: Hans Landa capturou Aldo Raine e Donny Donowitz e os levou para a conclusão de seu real plano: se tornar um herói de guerra americano por ter “ganho” os créditos da morte de Hitler, Goebbles, Herrmann e Bormann e outros grandes nomes do alto escalão do Partido Nazista. Ele acaba negociando com os comandantes dos Bastardos, via rádio, nos Estados Unidos e acaba por negociar a sua “rendição”. Os Bastardos concordam e seguem conforme o plano.
Quando eles estão pra cruzar a fronteira com o terreno inglês, Landa troca de lugar com Aldo no caminhão e é algemado. Aí é que os Bastardos provam que eles, de fato, não negociam com nazistas.
Ao final do filme fica uma única certeza: Tarantino é dono de um estilo único. Poucos diretores conseguem ser identicados tão facilmente por seu estilo. Menos ainda em atividade. Então só por isso já dá pra dizer que ele é muito bom mesmo (Acho que eu já disse isso algumas vezes aqui. Não?). E seu novo filme não vai passar despercebido por ninguém. Gostem ou não do filme. E acredito que existirá quem não goste.
Aqui vale lembrar que essa não é a verdadeira Segunda Guerra Mundial, essa é a Segunda Guerra Mundial do Tarantino. Não espere uma aula de história, Tarantino não está interessado em o quê realmente aconteceu ou como aconteceu, ele está interessado em contar uma história. E acredite, o final do filme choca e consegue ser mais feliz do que na verdade aconteceu. Não me surpreenderia se eles conseguissem resgatar Anne frank. Por isso Raine fazendo caretas o filme inteiro é totalmente aceitável. É um filme deslocado da realidade.
Por esses apstectos o filme de Tarantino é um espetáculo. Não fosse ele tão apaixonado pelo seu roteiro, poderia ter entregue um dos melhores filmes sobre a guerra, ao invés disso entrega um filme incrível com momentos de brilhantismo. Um pouco mais curto e com mais espaço para a matança dos Bastardos, (afinal, o filme deveria ser sobre eles, não?), seria um filme memorável, mas ainda assim não será facilmente esquecido. Principalmente, o personagem Hans Landa não será esquecido. O filme pode não ser o melhor, mas não consigo recordar um nazista mais memorável que esse.
E assim fica mais uma semana pessoal, semana que vem, se o líder supremo do universo, Jean, nos permitir, podemos fazer mais um post só sobre as curiosidades dessa história servida a leite!
Senhoras e senhoritos, como vocês devem ter notado, ontem não teve Quinta Tarantinesca nem post de tarde. Isso se dá devido a um fauno que nos trancou em um armário, que se revelou na verdade uma máquina do tempo, que por ironia do destino nos levou até o futuro. Fomos caçados por ciborgues exterminadores que se comunicavam por Skype, mas devido a internet ser discada, nós conseguimos fugir nas costas de dinossauros super inteligentes cultivamos na colônia de Marte.
Mas não se preocupem, estamos resolvendo os problemas aos poucos, e na semana que vem o Tarantino volta ao blog sem falta. :)
Bom dia, boa tarde e boa noite, taverneiros. Como vocês estão? Depois de um tempo banido, finalmente estou de
volta! Hoje entramos nessa reta final, começando nosso
papo sobre o time de ouro judeu, sobre o maior e melhor caçador de todos, sim,
esse mesmo, hoje falaremos sobre Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds).
Caso não tenha visto as duas partes do post sobre Kill Bill, pode clicar AQUI. E apenas lembrando que, como sempre, assista o filme antes, pois embora seja um post de recomendação, contém bastante spoiler. Então, teje avisado!
Sabem, sou um historiador de
meia-tigela. Eu deveria é engolir todos esses filmes que tratam de História.
Não é o que eu faço, maior prova disso é o meu fanatismo sobre Brave Heart.
Bastardos é um dos filmes top 5 da minha vida, por isso esse post é tão especial pra mim.
O filme já começa de maneira
MUITO promissora. A introdução de um dos personagens-chave do filme, o Cel.
Landa (Christoph “MEU REI” Waltz), da SS, é magistral. A sequência inicial do
filme é de tirar o fôlego e já vai mostrar um dos principais trunfos do filme:
a atuação (E QUE ATUAÇÃO!). Simplesmente sensacional, é aquele caso onde os
atores, mesmo sem falar nada, conseguem demonstrar o que está se passando na
cabeça deles. E isso pode trazer enorme desconforto ao espectador (o que é
ótimo), pois Bastardos Inglórios é um filme intenso e tenso.
Não poderia se esperar menos de
um filme sobre nazismo, um dos períodos mais conturbados, violentos, sádicos e
obscuros da humanidade. O filme se passa na primeira metade da década de 40, ou
seja: durante a Segunda Guerra Mundial, na França ocupada pelos nazistas. Uma
coisa interessante de se reparar é o destaque maior para Joseph Goebbels
(Sylvester Groth) do que para o Führer (Martin Wuttke). O Ministro da
Propaganda do Terceiro Reich é uma figura central no filme, o que demonstra
abertamente a essência do nazismo: a propaganda, que é veiculada
também na forma de filmes, todos feitos para exaltar o soldado, a identidade e
o nacionalismo alemão (qualquer semelhança com os filmes patriotas americanos é pura coincidência).
Bastardos é basicamente sobre um
filme, feito com esse intuito. Baseado nas façanhas do soldado Fredrick Zoller
(Daniel Brühl), todo o drama do filme acaba girando em torno da noite de
estréia da película na França, contando com a presença dos mais altos
comandantes do Terceiro Reich. E é aí que entra a missão mais importante dos
deles.
Os Bastardos são um grupo de
operações formado nos Estados Unidos com um único intuito: matar nazistas. Tudo
comandado pelo Tenente Aldo Reine (Brad “FUCKING” Pitt), que aqui vira uma caricatura dos americanos, o que faz a matança dos nazistas se tornar, de alguma forma, divertida. Tarantino
fez algo mágico logo de início, quando os nazistas estão sendo espancados, alvejados,
escalpelados ou outra coisa violenta, isso é feito de forma divertida. É
bastante caricato e com trilhas sonoras não de tensão, mas de pura diversão.
Quando é o contrário, quando algum nazista está sendo violento com outro
personagem "inocente", o clima de tensão e terror já é muito maior. Isso é mestre e mostra
a genialidade de Tarantino ao fazer uma propaganda de patriotismo americano em um filme que fala sobre a história de um filme patriota nazista. (Sua cabeça acabou de ser explodida)
Isso nos leva a um excelente
ponto do filme, assim como os outros de Tarantino, a trilha sonora. Uma seleção
de músicas de extremo bom gosto, com direito a Ennio Morricone, é daqueles
filmes onde a trilha realmente afeta o espectador, deixando-o atônito,
exasperado, temeroso e etc. Isso ajuda muito no clima de “e agora, o que
acontece?” que o filme sugere, pois a tensão estará sempre com o espectador.
Acredito que muita dessa tensão
também se deva à mania de dividir o filme em capítulos. Essa semelhança com um
livro traz essa sensação, pois eu, pelo menos, sou movido a essa curiosidade de
terminar logo um capítulo para saber como vai ser o próximo. E isso é trazido
para Bastardos Inglórios, de forma que cada capítulo possui uma importância
específica, deixando os vários focos narrativos cada vez mais interligados, de
forma a que as ações se cruzam e se completam ao final.
Tecnicamente o filme é absurdamente
sensacional. Jogo de câmera, figurino, efeitos. Há tudo para encher os olhos,
pois a reconstrução da época ficou realmente excelente. Achei incrível como
mesmo estando na França, Tarantino não mostrou nem sequer uma mísera imagem da
Torre Eiffel. Mas mesmo assim, é possível se sentir dentro da França e também
perceber a assustadora e monstruosa presença dos alemães, que claramente são
demonstrados como intrusos.
Sinceramente, não tenho do que
reclamar. Inclusive porque a História em si não foi respeitada nas vias de
fato, e o diretor deixa isso muito claro. O final é surpreendente justamente por causa disso, pois a ousadia do
filme vai além do comum, que seria respeitar os caminhos ocorridos na
realidade. Representando como seria o final da guerra se dependesse de um fanático nacionalista, assim como o filme representando em Bastardos Inglórios acabava como o personagem principal saindo como um herói nacional, impressionando quem estava assistindo.
Por outro lado, o universo
nazista na França ocupada e seus valores estão muito bem representados no
filme, e isso é o que de melhor se pode tirar da ficção baseada no real: a
reconstrução e representação de valores. Posto isso, todo o resto ser ficcional
é o ponto crucial para sermos surpreendidos.
Bastardos Inglórios é
essencialmente tenso e tem uma mensagem a passar. De vingança, de redenção, de
civilidade. Mas não é por isso que o filme é excessivamente sério. Pelo
contrário, o clima descontraído e de humor está presente em muitas cenas,
principalmente nas que Brad Pitt aparece, com um sotaque do sul dos EUA pra lá
de engraçado. E eu ainda quero entender por que o título em inglês é escrito
errado..
Semana que vem já sabe! A segunda
parte LOTAAAADA de spoilers e tudo que eu o meu coraçãozinho over excited pode
oferecer pra vocês! Tenham um resto de semana incrível, e até quinta que vem!
Créditos ao Neto e pro Jean delícia pela ajuda com a
produção do artigo.
- Lucas
Olá, nerdões e nerdonas desse meu
Brasil varonil. Hoje irei terminar a análise iniciada semana passada de Kill
Bill falando sobre o Vol.02, como prometido na última Quinta Tarantinesca. Sim,
eu sei que hoje não é quinta, mas um mago nunca se atrasa. Ele sempre chega na hora certa.
Apenas lembrando que tem pedaços de spoiler espalhados por todo o post. Então TEJE AVISADO!
E caso não tenha visto o post da
primeira parte, CLIQUE AQUI.
Agora que a Mamba Negra já havia
assassinado grande parte do grupo de Bill, a história do filme começa com ela
no carro fazendo um monólogo lembrando a você o que ela tinha passado, assim
como as recapitulações de séries e desenhos animados. E você consegue sentir
que o sentimento de vingança de Kiddo não diminuiu nem um pouco, pois ela está
dirigindo direto para o trailer do irmão de Bill, Budd, o Cascavel, em busca de
respostas.
No entanto, não somos recebidos
por mais uma cena incrível e exagerada de ação, mas um Budd preparado, que logo
de começo mete dois tiros nos seios de Kiddo e a enterra ainda viva no caixão
em uma das cenas mais desesperadoras e claustrofóbicas que já vimos no cinema.
Budd então chama ninguém menos
que Elle Driver, a Cobra Californiana, para vender a espada de Hanzo de Kiddo
por um milhão de dólares. E é aí que Tarantino consegue enfatizar ainda mais o
motivo do grupo de assassinos terem nomes de cobras. Eles são tão traiçoeiros a
ponto de um enganar o outro para lucrar por cima. Mas Budd em sua ganância
nunca iria esperar uma mamba negra, dentro de uma maleta cheia de dinheiro. E é
aí que ele e seu chapéu de cowboy morrem com o veneno da víbora, esparramados
em cima do dinheiro, enquanto a Cobra Californiana liga para Bill falando que
foi Kiddo que o matou.
Logo em seguida conhecemos mais sobre o insano treinamento de Beatrix com o icônico mestre das artes marciais Pai Mei (do chinês “Sobrancelha Branca”), que, embora seja rígido, nos agrada com as cenas mais engraçadas dos dois filmes inteiros.
O personagem já havia aparecido
no filme “Carrascos de Shaolin”(1977), de onde Tarantino resgatou e o trouxe de
volta com a ajuda de Gordon Liu, que o interpretou magnificamente no longa.
E é usando os ensinamentos de Pai
Mei que Kiddo consegue fugir do caixão que estava enterrado com ela dentro.
Usando o soco de uma palma de distância ela quebra a madeira e foge, para
finalmente encontrar Elle a esperando no trailer.
A Cobra Californiana havia sido
treinada por Pai Mei também, o que poderia ser algo difícil para Kiddo se ela
não tivesse sido rejeitada pelo mestre, que arrancou um de seus olhos. Então a
Mamba Negra se certifica de terminar o trabalho dele arrancando o outro olho
dela, e deixando que a víbora no trailer tivesse o desprazer de finalizar ela.
Então finalmente chegamos ao
ponto crucial da história, o fatídico dia em que Beatrix finalmente encontra
Bill, o homem que ela amou, e que a traiu. Mas o ponto que mais me anima nessa
parte do filme é a calmaria que se tem durante grande parte dela. Você, assim
como Kiddo, já está cansado das lutas exageradas, e quer que ela se resolva
logo. Mas não antes de uma explicação, é claro.
Embora Beatrix chegue com desejo
de vingança, a primeira coisa que encontra é ninguém menos que a sua filha, que
acreditava estar morta. Ela sucumbe ao descobrir esse fato e com Bill tentando
a convencer de que sua busca por vingança era desnecessária, já que o laço
entre eles ainda estava vivo e ele se arrepende do que fez.
Mas o que mais me deixou intrigado
nessa parte foi um monólogo memorável feito por Bill, que na verdade é um
monólogo pro próprio Tarantino, expondo sua fascinação sobre a cultura pop,
mais precisamente sobre as histórias em quadrinhos, comparando Beatrix com
Superman, um diálogo que teve grande influência no livro de Jules Feiffer, “The
Great Comic Book Heroes”(1965). Um fato interessante é que essa cena veio a ser
a inspiração do diretor Brandon Routh para a produção do filme “Superman: O
Retorno”(2006).
Beatrix tinha nascido com o dom
da morte, assim como sua filha já conseguia demonstrar em certos momentos. Ela
não podia esconder o fato de ser uma assassina, pois ela era uma assassina. O
fato de ter abandonado ele para fingir ser uma pessoa normal e casar-se com
outro o tinha magoado profundamente, e ele havia decidido que preferia ver ela
morta do que fingindo ser algo que não é.
Esse artífice que o diretor/roteirista
usa para usar suas próprias palavras no personagem e que se encaixam
perfeitamente na história, veio a ser utilizado novamente em outros filmes do
queixudinho, como Bastardos Inglórios, próximo filme que será analisado aqui no
blog, e que Tarantino almejava filmar antes de Kill Bill, mas que não o fez
pois não havia escrito um final bom o suficiente para sua obra prima.
Por fim, temos a conclusão da
história com a tão aguardada vingança de Beatrix, que utiliza um golpe secreto
o qual após 5 passos a pessoa atingida teria o coração explodido dentro do
peito, típico de filmes japoneses e mangás. Bill aceita seu destino e caminha
para a morte após se despedir. E o filme finaliza com a visão feliz da mãe e
filha dirigindo para tão aguardada paz.
Tarantino acertou em cheio essa
mistura de tantas culturas, de forma que nada ficou forçado o suficiente,
apenas cômico e exagerado o bastante para tornar Kill Bill vol.01 e vol.02 um
sucesso não somente entre o público cult, mas entre todos os fãs de ação da
época, provando que ele sabe muito bem exercer seu trabalho.
Caso queira saber mais
curiosidades sobre o filme e as milhares de obras que serviram de inspiração,
pode conferir AQUI. Mas já vou avisando que não encontrei em português, então
terá que assistir em espanhol ou com legendas em inglês, pois se fosse colocar
aqui no post, ia ficar ainda mais gigante do que já está.
Ficamos por aqui por hoje,
pessoal. Espero que não tenha matado vocês de tédio, pois preferia matar de uma
maneira mais dolorosa e sangrenta... digo, espero que tenham gostado do post. Caso tenha
faltado algo ou tenha escrito alguma besteira, é só deixar o comentário aqui ou
no facebook, que nossos shaolins altamente treinados em arrancar olhos e
corrigir posts irão aparecer para completar a missão.
Até semana que vem com o Lucas
nos guiando na obra-prima de Tarantino, o magnífico, Bastardos Inglórios!